domingo, 8 de fevereiro de 2026

 Construtora leva R$ 27 milhões em segunda cidade controlada por Josimar de Maranhãozinho

Blog do Neto Ferreira 

O que deveria ser disputa aberta e competitiva por contratos públicos milionários em municípios do Maranhão transformou-se em um roteiro repetido de possível simulação de concorrência, beneficiando as mesmas empresas em duas cidades sob forte influência política do deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Em Governador Nunes Freire e em Zé Doca, o padrão é quase idêntico: duas empresas disputam licitações, apresentam lances com diferenças mínimas e, ao final, a mesma vencedora é beneficiada, levantando sérias suspeitas de conluio e direcionamento.

O caso em Zé Doca torna-se emblemático pelo que representa em termos de manipulação de certame. No processo licitatório formalizado como Concorrência nº 014/2025, as empresas CIABRAA Construção Serviços e Empreendimentos Ltda e Construtora Castelucci Ltda travaram uma disputa que, à primeira vista, parecia obedecer às regras. Mas a dinâmica dos lances e o desfecho indicam outra realidade: a disputa foi meramente formal, sem competição real, marcada por ajustes milimétricos de preços que só serviram para criar a aparência de competitividade.

O momento mais gritante da sessão ocorreu quando teve um lance reduzido em apenas R$ 1,96 (um real e noventa e seis centavos) em relação ao lance antecedente. Em um contrato total de mais de R$ 27 milhões, uma alteração desse montante em menos de dois reais não configura concorrência real — configura teatro administrativo para preencher a formalidade de um resultado que, na prática, já estava definido.

Esse mesmo roteiro já havia sido registrado em Governador Nunes Freire, na licitação de R$ 16 milhões para obras de saúde, com as mesmas duas empresas, mesma sequência de lances mínimos e, novamente, a vitória da CIABRAA Construção Serviços e Empreendimentos Ltda sob o valor de R$ 27,185 milhões em Zé Doca. A repetição do comportamento nos dois municípios, com resultados idênticos e ajustes de valor quase simbólicos, fortalece a hipótese de simulação de concorrência ou mesmo conluio entre as empresas concorrentes, violando os princípios constitucionais da administração pública — especialmente os princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da economicidade.

As cidades de Governador Nunes Freire e Zé Doca são localizadas em áreas tradicionalmente consideradas currais eleitorais político liderado por Josimar de Maranhãozinho, com influência direta sobre as gestões municipais.

A reportagem tentou contato com os citados, mas não obteve respostas até o fechamento desta matéria.

 Baile da Melhor Idade abre programação carnavalesca em Caxias 

Com muita alegria, brilho e animação o Baile da Melhor Idade abriu a programação de Carnaval em Caxias. O evento, que aconteceu no Ginásio Mauro Sérgio (IPEM), nessa sexta-feira (06), reuniu idosos assistidos pelos Centros de Convivência de Idosos, em uma tarde marcada por muita música e celebração.

Nazaré Teixeira, assistida do Centro de Convivência de Idosos do bairro Ponte, aproveitou o Baile e realizou o sonho de se fantasiar. “Eu estou achando maravilhoso, era um sonho desde pequena que eu tinha de brincar o carnaval de fofão e hoje chegou o dia. Aqui em Caxias é especial”, disse.

“Para mim, está bom demais. É um prazer estar aqui com vários idosos. Bom demais” contou Dalva Silva, assistida do Centro de Convivência de Idosos do conjunto Ipem. Domingo Avelino, assistido do Centro de Convivência de Idosos do bairro Trizidela, elogiou o baile. Estou gostando, é um divertimento da gente. Gostei do carnaval, da música, das pessoas, das roupas”, disse.

A animação ficou por conta da Banda Os Bregas e da Banda Furiosa, com repertórios que colocaram todo mundo para dançar e cair na folia. Além das atrações musicais, também teve desfile e concurso de melhor fantasia, com idosos entrando no clima carnavalesco, mostrando criatividade e muito carisma.

José Silva foi o grande vencedor do concurso. “Para mim foi muito muito. Aqui a gente se diverte, dança, tudo aqui foi bom demais para nós”, disse.

“Foi maravilhoso demais, bom demais. Foi ótimo esse desfile para a gente, idoso tem que disputar, tem que dançar”, contou Luzia Costa, vice-campeã do concurso.

A ação foi realizada pela Prefeitura de Caxias, por meio da Secretaria Municipal de Proteção Social, Primeira Infância e Pessoa Idosa, reforçando o compromisso da gestão municipal com o bem-estar, a convivência, integração e a valorização da pessoa idosa.

O prefeito de Caxias, Gentil Neto, esteve no baile e falou da valorização dos idosos. “Muito feliz de poder dar esse pontapé inicial aqui, ao lado dos nossos idosos. É através das nossas ações concretas que mostramos o respeito, o carinho, o amor e sobretudo o quanto que a gente quer que cada um deles possa ter a sua expectativa de vida cada vez maior, levando momentos de alegria, de diversão, mas também cuidando do que é o principal, da saúde de cada um deles. A gente fica muito feliz de ver eles todos animados, aproveitando e podendo ter esse momento para que cada um deles possa interagir com os outros. Isso é carnaval”, disse.

“É muito prazeroso fazer a abertura do Carnaval de Caxias com os nossos Centro de Convivência de Idosos, e é uma grande satisfação porque eles gostam, é diversão. A Proteção Social tem um prazer de cada dia mais proporcionar isso para eles”, finalizou Gardênia Santos, secretária municipal de Proteção Social, Primeira Infância e Pessoa Idosa.


Brandão descarta Senado e oficializa Orleans como sucessor para 2026  


O governador do Maranhão, Carlos Brandão (sem partido), reafirmou, pela enésima vez, durante evento realizado neste sábado, 7, no município de São João do Paraíso, que não irá renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal, optando por concluir seu mandato no Palácio dos Leões até o último dia.

A decisão impacta diretamente a linha sucessória e o xadrez eleitoral do estado. Ao permanecer no cargo, o governador impede que seu vice, Felipe Camarão (PT), assuma o governo em abril de 2026 — prazo para desincompatibilização — e dispute a reeleição com a máquina pública nas mãos. Brandão justificou a escolha como um “sacrifício” necessário para garantir a continuidade dos projetos municipais e o apoio aos prefeitos aliados.

Além da permanência, o governador oficializou o nome de seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB), atual secretário de Assuntos Municipalistas, como o pré-candidato do grupo ao Governo do Estado. No palanque, o governador afirmou que Orleans está “pronto para fazer melhor” do que ele próprio e que a ideia é “passar o bastão” para um nome que represente a sequência direta de sua gestão.

“Resolvi ficar até o fim do governo. Vou ficar sem mandato, mas por uma causa: continuar o trabalho que estou fazendo pelo Maranhão com o Orleans Brandão. Prefiro ficar sem mandato, mas com os prefeitos e municípios amparados”, declarou o governador durante o discurso.

PT pode repetir saída salomônica no Maranhão em 2026 

Diego Emir

A história costuma oferecer pistas importantes sobre o presente, e o Partido dos Trabalhadores (PT) no Maranhão parece caminhar para reeditar uma estratégia já conhecida. Em 2002, diante de um cenário político fragmentado e de interesses conflitantes, a legenda optou por uma saída salomônica para não romper com nenhum dos lados em disputa. Vinte e quatro anos depois, o roteiro se desenha novamente.

Naquele ano, o Maranhão vivia uma eleição marcada pela polarização. Zé Reinaldo Tavares disputava o Governo do Estado com o apoio do então senador José Sarney, enquanto Jackson Lago liderava a oposição antissarneysta. No plano nacional, Luiz Inácio Lula da Silva partia para sua quarta tentativa de chegar à Presidência da República e não podia correr riscos em um dos maiores colégios eleitorais do Nordeste.

Lula optou por uma aliança estratégica com José Sarney, figura central da política maranhense. Contudo, para evitar o rompimento com setores internos do PT e com aliados históricos no estado, o partido decidiu lançar candidatura própria ao governo, com Raimundo Monteiro. A decisão funcionou como um meio-termo: preservou pontes com Sarney e, ao mesmo tempo, manteve o discurso de autonomia partidária.

Em 2026, o PT volta a enfrentar um dilema semelhante. A legenda está dividida entre duas correntes: a ala ligada ao grupo brandonista, que defende a manutenção da aliança com o governo estadual, e o grupo dinista, que avalia que o melhor caminho eleitoral passa por uma composição com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide.

Diante desse impasse, cresce a avaliação de que o PT pode novamente optar por uma solução intermediária para evitar desgastes internos e externos. O nome do vice-governador Felipe Camarão surge como alternativa capaz de acomodar as divergências, preservando relações com ambos os campos e garantindo protagonismo à sigla na disputa estadual.

Assim como em 2002, a decisão não seria apenas local, mas influenciada por cálculos nacionais. O PT, mais uma vez, tende a priorizar a unidade partidária e a estratégia presidencial, evitando tomar partido de forma definitiva em uma disputa que pode gerar fissuras difíceis de recompor. Se confirmada, a escolha de Felipe Camarão representaria mais um capítulo da tradição petista de buscar equilíbrio em meio à tensão política maranhense.