GEOGRAFIA DA FÉ: RELIGIÃO, TERRITÓRIO E ELEIÇÕES NO BRASIL EM 2026
Falar de religião no Brasil é também falar de território, identidade, cultura e poder. Em uma sociedade marcada pela diversidade regional e por profundas desigualdades socioespaciais, a fé ultrapassa o espaço privado e participa da construção das relações sociais e do debate público.
Segundo a pesquisa Global Religion, da Ipsos, 89% dos brasileiros entrevistados afirmam acreditar em Deus ou em uma força superior, enquanto 70% dos que possuem uma religião se identificam com o cristianismo. Esses dados revelam a expressiva presença da religiosidade na sociedade brasileira.
Essa relação possui raízes históricas. Com a República, consolidou-se a separação entre Estado e religião, mas a presença religiosa na vida pública permaneceu. João Café Filho, presbiteriano, assumiu a Presidência em 1954 e é reconhecido como o primeiro presidente protestante do Brasil. Posteriormente, outros representantes de tradição protestante também chegaram à Presidência, demonstrando que a participação religiosa na política brasileira antecede o atual crescimento da presença evangélica.
Sob a perspectiva da Geografia Política, a religião pode ser compreendida como elemento de construção de identidades e territorialidades. Igrejas, comunidades e redes religiosas produzem vínculos sociais e ocupam diferentes espaços, estabelecendo relações que também alcançam a política.
Nas Eleições Gerais de 2026, essa dinâmica ganha visibilidade diante da disputa presidencial e das eleições para governadores, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas. Entre as candidaturas à Presidência estão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante), entre outras. Flávio Bolsonaro possui identificação pública com o segmento evangélico, mas a dimensão religiosa não explica, isoladamente, as escolhas eleitorais.
A questão central é compreender como religião, território e política se articulam em um país de dimensões continentais. O território não é apenas o espaço onde as eleições acontecem; é também onde se formam identidades, desigualdades, pertencimentos e demandas sociais.
O Brasil é um Estado laico, mas sua sociedade é profundamente plural. Diferentes crenças e visões de mundo participam legitimamente da democracia, assim como cidadãos sem religião. Por isso, analisar a chamada Geografia da Fé não significa reduzir a política à religião, mas compreender como a dimensão religiosa se relaciona com outras forças sociais e territoriais.
Em 2026, compreender o Brasil exige olhar para além das urnas. É necessário observar os territórios, as identidades e as relações sociais que dão significado ao voto. A urna registra a escolha; o território revela a complexidade social que está por trás dela.
Eduardo Rego
Estudante do 8º período de Geografia – UEMA/UEMANet – Polo Caxias-MA – UAB