sábado, 31 de outubro de 2026

 Réu do 8/1 rompe tornozeleira no Maranhão e reaparece como fiscal do PL na Argentina

O gaúcho Claudiomiro da Rosa Soares, de 52 anos, réu por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, rompeu a tornozeleira eletrônica que utilizava em Balsas, no sul do Maranhão, e fugiu para a Argentina. Mais de dois anos depois, reapareceu como fiscal do Partido Liberal (PL) durante o primeiro turno das eleições brasileiras de 2026, em Buenos Aires.

A trajetória foi revelada em reportagem da revista piauí, publicada nesta quinta-feira (29), com base em entrevista concedida pelo acusado na capital argentina.

Claudiomiro rompeu o equipamento de monitoramento em 5 de junho de 2024 e o jogou no Rio das Balsas. Após conseguir carona até Araguaína, no Tocantins, percorreu aproximadamente 3 mil quilômetros de bicicleta até a fronteira argentina. Ele entrou no país vizinho em 4 de julho daquele ano e seguiu de ônibus para Buenos Aires.

A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária do Maranhão (Seap) identificou a perda do sinal da tornozeleira no dia seguinte e, posteriormente, constatou que ele havia deixado o endereço informado à Justiça.

Mesmo foragido, Claudiomiro se cadastrou no site do PL para atuar como fiscal de votação na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, em 4 de outubro de 2026. A presença dele foi identificada pela Polícia Federal e comunicada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 21 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes decretou sua prisão preventiva por descumprimento das medidas cautelares.

O réu responde por tentativa de golpe de Estado, associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Ele nega participação na depredação dos prédios públicos e afirma que entrou na sede do STF durante os atos para tentar conter focos de incêndio.

O advogado Geovane Veras Pessoa classificou a atuação do cliente como fiscal na eleição como um equívoco que agravou sua situação jurídica.

Segundo a reportagem da revista piauí, Claudiomiro permanece em Buenos Aires, onde sobrevive de trabalhos informais na área de pintura.

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