quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Bancários negam proposta e greve da categoria continua


Mais uma vez não houve acordo entre bancários e empresários do setor financeiro. Em reunião realizada até o início da noite desta quarta-feira (28) em São Paulo, os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pelos donos de bancos, que manteve os 7% de reajuste nos salários. Foram mais dois dias de negociação à espera de uma proposta. O acordo de dois anos proposto nesta quarta-feira (28) pelos bancos mantém os 7% e abono de R$ 3,5 mil, agora em 2016, e reposição da inflação, mais 0,5% de aumento real, em 2017. O Comando Nacional dos Bancários rejeitou a proposta na própria mesa de negociação, por considerar insuficiente, com perdas para os trabalhadores e orienta que os sindicatos realizem assembleias em suas bases, na próxima segunda-feira (3), para debater e organizar os rumos do movimento.

Com a decisão, a greve dos bancários chegará amanhã ao 24º dia no estado e já é considerada uma das maiores dos últimos anos. No Maranhão, a adesão da categoria é de 85% e maior nos bancos públicos. Nas agências privadas, apesar da suspensão oficial das atividades, alguns funcionários – temendo futuras demissões – comparecem ao local de expediente e estão realizando normalmente as suas funções.

Além do aumento de 7%, os empresários também ofereceram um abono de R$ 3,5 mil ainda para este ano. Em 2017, de acordo com os donos de bancos, os trabalhadores teriam uma reposição inflacionária nos salários de 0,5% (considerado aumento real). Apesar da proposta, os bancários ainda consideram os benefícios oferecidos insuficientes. Eles querem, no mínimo, um reajuste de 9,5% e maior participação nos lucros e resultados.

Com a suspensão das atividades nos bancos, os cidadãos estão recorrendo a outras opções, como agências lotéricas e caixas eletrônicos. Outros serviços, como internet banking e autoatendimento também são usados neste período.

No dia 21 deste mês, o Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) do Maranhão determinou a suspensão da cobrança de juros e multas sobre pagamentos bancários. A alegação do órgão é que a população não poderia ser penalizada por um desacordo entre terceiros, neste caso, empresários e bancários.

Além da impossibilidade de cobrança de juros, ainda de acordo com o Procon, as empresas financeiras estão proibidas de negativar os consumidores junto aos órgãos de proteção ao crédito. De acordo com o Procon, o descumprimento das medidas pode levar à crime de desobediência, conforme garantido no Código Penal.

Números

7% foi o percentual apresentado pelos empresários do setor financeiro;

85% é a adesão dos bancários à greve no Maranhão;