De motorista de ônibus a líder autoritário: como Nicolas Maduro se manteve no poder na Venezuela
Ortega, antes aliada, rompeu com o governo ao denunciar execuções e abusos.
“Mais de oito mil venezuelanos foram executados pela polícia e pelo Exército”, declarou.
Crise econômica e pressão internacional
A crise se aprofundou com a decadência da estatal PDVSA, afetada por corrupção e falta de manutenção, somada às sanções impostas pelos Estados Unidos. O Lago Maracaibo, berço do petróleo venezuelano, passou a simbolizar o declínio da indústria.
Em 2016, Donald Trump tentou derrubar Maduro ao apoiar Juan Guaidó como “presidente legítimo”, mas a iniciativa fracassou.
“Acho que Maduro e sua mulher queriam ir embora, mas russos e cubanos os mandaram ficar, porque sabiam que, se ele saísse, o regime coslapsaria rapidamente”, afirmou John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Brancađ.
Com a guerra na Ucrânia e as sanções ao petróleo russo, o governo Joe Biden suspendeu restrições ao petróleo venezuelano, devolvendo relevância internacional a Maduro. O cenário mudou novamente com o retorno de Trump ao centro da política americana, pressionando por combustíveis mais baratos.
Propaganda e sobrevivência política
Entre ameaças externas, articulações internas e circunstâncias favoráveis, Maduro se manteve no poder. Investiu fortemente em propaganda, criando até um super-herói animado, o “Super Bigode”, para reforçar sua imagem de defensor do povo.
Agora, a Venezuela vive uma expectativa decisiva: saber se a população continuará sustentando esse personagem ou se o país finalmente virará a página de sua história recente.