quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

 Lula endurece regras e fecha brecha contra descontos indevidos em benefícios do INSS


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova lei que muda de forma radical a relação entre aposentados, pensionistas e associações que, por anos, tiveram acesso direto aos benefícios pagos pelo INSS. A legislação proíbe qualquer desconto automático de mensalidades associativas nos benefícios previdenciários e impõe a devolução integral dos valores cobrados de forma irregular.

A nova regra altera a Lei de Benefícios da Previdência Social e vai além da simples proibição. Mesmo quando há autorização do beneficiário, o desconto passa a ser vedado. A única exceção ocorre em casos de autorização prévia, pessoal e específica, com exigência de autenticação biométrica — como reconhecimento facial ou impressão digital — além de assinatura eletrônica.

Outro ponto central da lei é a responsabilização direta das associações ou instituições financeiras envolvidas. Em caso de desconto indevido, o ressarcimento deverá ser feito em até 30 dias, sem empurrar a conta para o poder público ou para o próprio segurado.

A legislação também prevê mecanismos mais duros contra fraudes estruturadas, autorizando o sequestro de bens de investigados ou acusados de crimes relacionados aos descontos ilegais nos benefícios do INSS.

A mudança legal é resultado direto do escândalo revelado pela Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União em abril de 2025. As investigações expuseram um esquema nacional que atingiu milhões de aposentados e pensionistas, com cobranças feitas sem consentimento ou por meio de autorizações fraudulentas.

Após a operação, todos os acordos de cooperação técnica que permitiam descontos associativos diretos nos benefícios foram suspensos, e o governo federal iniciou uma força-tarefa para identificar vítimas e devolver os valores subtraídos.

Segundo dados do próprio INSS, até o início de janeiro já foram ressarcidos mais de R$ 2,8 bilhões a beneficiários lesados. O número de solicitações de contestação ultrapassa 4,1 milhões, revelando a dimensão do problema. O aplicativo Meu INSS registrou mais de 72 milhões de consultas sobre descontos, com milhões de pedidos ainda em análise.