Lula participa de ato sobre o 8/1 sem cúpula do Congresso e STF
Chamou atenção a ausência dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), além do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que optou por não comparecer. O STF realizou uma programação paralela para relembrar a data, num gesto que reforça a separação simbólica entre os Poderes, mesmo diante de um episódio que os atingiu simultaneamente.
Enquanto a solenidade ocorria no Salão Nobre, militantes, apoiadores do governo e integrantes de movimentos sociais se concentravam em frente à Praça dos Três Poderes, em um ato convocado pelo PT em defesa da democracia. A expectativa era de que Lula descesse a rampa do Planalto para cumprimentar o grupo, estimado em cerca de 3 mil pessoas.
O evento também foi atravessado por um forte pano de fundo político: a expectativa de que o presidente oficialize o veto ao Projeto de Lei da Dosimetria, aprovado pelo Congresso no fim de 2025, que reduz penas de condenados pelos atos golpistas e é visto no Palácio do Planalto como uma tentativa de reescrever a gravidade do 8 de Janeiro. Lula já sinalizou a aliados que deve barrar a proposta, mesmo sob risco de novo embate com o Legislativo.
Nos bastidores, o veto é tratado como um gesto calculado para reforçar a narrativa de que não haverá conciliação com o golpismo, ainda que o governo esteja empenhado em reduzir tensões com o Congresso após meses de disputas políticas.
Além da defesa da democracia, o discurso governista incorporou o tema da soberania nacional, especialmente após recentes episódios envolvendo a Venezuela e ações dos Estados Unidos na região. Para integrantes do governo, o ato de 8 de Janeiro passa a representar não apenas a condenação do passado, mas também um posicionamento político diante de disputas geopolíticas atuais.
