domingo, 22 de fevereiro de 2026

O Maranhão da inclusão 


Por Carlos Brandão

O Carnaval do Maranhão não foi apenas grandioso. Ele também foi muito organizado e seguro. Mais de 5,4 milhões de pessoas passaram pelos circuitos oficiais na capital e no interior. Em um evento desse porte, o que normalmente vira manchete é a ocorrência grave. Desta vez, o destaque foi justamente o contrário: nenhum registro de homicídio, feminicídio, latrocínio ou algo parecido nas áreas oficiais. Nenhuma arma de fogo apreendida dentro dos circuitos da capital. Queda de 40% nos roubos na Litorânea e redução de 98% nos furtos de celular em comparação com o ano passado.

Resultado do trabalho de mais de oito mil agentes mobilizados em todo o estado. Mulheres e homens das forças de segurança que atuaram a pé, a cavalo, em viaturas, com suporte de drones, aeronaves e de 35 câmeras com reconhecimento facial instaladas no circuito “Vem pro Mar”. O Carnaval do Maranhão terminou como se imaginava, por conta das prévias: grande. Multidões nas ruas, hotéis cheios, bares e restaurantes trabalhando no limite, milhares de empregos temporários gerados. Uma festa que movimentou o turismo, aqueceu a economia e reafirmou a vocação cultural do estado.

Mas, passado o som dos trios e o brilho dos palcos, a semana nos presenteou com algo imensamente relevante.

Enquanto o Maranhão ainda vivia memórias da folia, fomos a um encontro silencioso e simbólico com mães e crianças acometidas pela Síndrome Congênita do Zika Vírus – caracterizada, principalmente, pela microcefalia. Dez anos após a epidemia que marcou o estado, reafirmamos uma política que não foi temporária e, sim, contínua.

Durante um café da manhã realizado em São Luís, entregamos vários dispositivos de mobilidade às crianças acompanhadas. Foram carrinhos de posicionamento e cadeiras adaptadas que garantirão mais autonomia, conforto e dignidade. Somos o primeiro estado brasileiro a realizar uma ação como essa. Cada cadeira representa menos dor postural, mais qualidade de vida e mais independência para crianças que já enfrentaram desafios demais.

Foi um encontro emocionante e que nos trouxe muitas verdades. Uma delas é que cada uma daquelas crianças é cercada por um amor incondicional.  Após o surto do Zika vírus no Brasil – sobretudo no Nordeste, entre 2015 e 2016 – as mães das crianças que nasceram com microcefalia recorreram à mobilização para garantir qualidade de vida aos seus filhos. Com muita força, coragem e persistência, essas mães enfrentam batalhas diárias para vencer as adversidades. Aqui no Maranhão não foi diferente. Tanto que, à época, foi criada a Casa de Apoio Ninar para dar suporte a essas crianças. Nosso governo a ampliou e a transformou no Centro de Especialidade Ninar, agregando vários outros serviços à grade existente.

As mães – em sua maioria solo – adaptaram suas rotinas, aprenderam a ser cuidadoras e mostram, a todos nós, todos os dias, o verdadeiro sentido da palavra “amor”, que está em cada gesto, em cada olhar, em cada luta por seus direitos. O que fazemos, no papel de governo, deve continuar sendo feito e, certamente, ser ampliado. E já o faremos com a abertura de um Centro de Especialidade Ninar na Região Tocantina. É a multiplicação do acolhimento. O que nos faz pensar que vivemos um contraste motivador. De um lado, mostramos um governo capaz de organizar um dos maiores carnavais do país com segurança, geração de renda e impacto turístico. De outro, investimos em saúde pública especializada, acolhendo mães resilientes, ampliando atendimento em saúde mental – com a entrega de um CAPS AD III, que funcionará 24h para atendimento a dependentes químicos. Reforçando o transporte de saúde, chegamos a trezentas ambulâncias entregues em todo o estado.

Isso porque acreditamos que devemos promover desenvolvimento econômico sem abandonar o compromisso social. Celebrar com responsabilidade. Crescer sem excluir. 

No Maranhão da inclusão, a festa gera renda e o cuidado gera dignidade.

*Carlos Brandão é governador do Maranhão