PT pode repetir saída salomônica no Maranhão em 2026
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A história costuma oferecer pistas importantes sobre o presente, e o Partido dos Trabalhadores (PT) no Maranhão parece caminhar para reeditar uma estratégia já conhecida. Em 2002, diante de um cenário político fragmentado e de interesses conflitantes, a legenda optou por uma saída salomônica para não romper com nenhum dos lados em disputa. Vinte e quatro anos depois, o roteiro se desenha novamente.
Naquele ano, o Maranhão vivia uma eleição marcada pela polarização. Zé Reinaldo Tavares disputava o Governo do Estado com o apoio do então senador José Sarney, enquanto Jackson Lago liderava a oposição antissarneysta. No plano nacional, Luiz Inácio Lula da Silva partia para sua quarta tentativa de chegar à Presidência da República e não podia correr riscos em um dos maiores colégios eleitorais do Nordeste.
Lula optou por uma aliança estratégica com José Sarney, figura central da política maranhense. Contudo, para evitar o rompimento com setores internos do PT e com aliados históricos no estado, o partido decidiu lançar candidatura própria ao governo, com Raimundo Monteiro. A decisão funcionou como um meio-termo: preservou pontes com Sarney e, ao mesmo tempo, manteve o discurso de autonomia partidária.
Em 2026, o PT volta a enfrentar um dilema semelhante. A legenda está dividida entre duas correntes: a ala ligada ao grupo brandonista, que defende a manutenção da aliança com o governo estadual, e o grupo dinista, que avalia que o melhor caminho eleitoral passa por uma composição com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide.
Diante desse impasse, cresce a avaliação de que o PT pode novamente optar por uma solução intermediária para evitar desgastes internos e externos. O nome do vice-governador Felipe Camarão surge como alternativa capaz de acomodar as divergências, preservando relações com ambos os campos e garantindo protagonismo à sigla na disputa estadual.
Assim como em 2002, a decisão não seria apenas local, mas influenciada por cálculos nacionais. O PT, mais uma vez, tende a priorizar a unidade partidária e a estratégia presidencial, evitando tomar partido de forma definitiva em uma disputa que pode gerar fissuras difíceis de recompor. Se confirmada, a escolha de Felipe Camarão representaria mais um capítulo da tradição petista de buscar equilíbrio em meio à tensão política maranhense.
