Protagonismo feminino: competência comprovada
Agora, chegando ao fim de março, voltamos ao tema para reforçar a urgência de que este não pode ser apenas um debate sazonal.
Se a pauta dos direitos das mulheres só aparece em datas simbólicas, há um problema de prioridade – e, no limite, de compreensão do que está em jogo. Em meio a tantos casos de desrespeito às mulheres pelo país afora, aqui no Maranhão este março nos deixa lições importantes.
Como exemplo, para que o debate se amplie todos os anos, sancionamos a lei que institui o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, como feriado estadual, atendendo a uma proposição do deputado estadual Wellington do Curso.
A ideia é fazer com que esse dia seja utilizado para a promoção de ações que discutam a igualdade de gênero, além de reforçar a luta de combate à violência contra as mulheres.
Quem conhece o Maranhão sabe que boa parte do que funciona passa, direta ou indiretamente, pelas mulheres.
Na agricultura familiar, na economia informal, na organização comunitária, na condução da casa e, cada vez mais, nos espaços de decisão.
Em nosso governo elas são cerca de vinte gestoras, atuando como secretárias de Estado ou presidindo órgãos públicos.
Nos últimos anos, o Maranhão estruturou uma linha de atuação que combina três frentes que realmente fazem diferença: proteção contra a violência, autonomia econômica e acesso a serviços.
Isso é política pública aplicada – da expansão das Casas da Mulher Maranhense ao fortalecimento da Patrulha Maria da Penha, passando por programas de geração de renda e interiorização de serviços de saúde.
Os números começam a responder. A redução de cerca de 27% nos casos de feminicídio em 2025 – em relação a 2024 – não resolve o problema, mas indica direção.
E, em política pública, direção correta sustentada ao longo do tempo costuma produzir resultado.
Mas há um segundo movimento, mais silencioso e igualmente relevante: a ocupação de espaços de poder.
A posse da coronel Augusta Andrade na Secretaria de Estado da Segurança Pública – primeira mulher militar a assumir esse posto -, realizada esta semana, entra exatamente nesse ponto.
É um marco simbólico? Sim. Mas parar nessa leitura é superficial.
O dado mais importante é outro: ela não chega ao cargo por representar uma pauta. Chega porque construiu uma trajetória consistente dentro da segurança pública.
Ingressou na Polícia Militar ainda nos anos 80, passou por unidades operacionais, áreas estratégicas, comando, inteligência.
Foi uma das responsáveis pela implantação da Patrulha Maria da Penha no estado – o que, por si só, já conecta experiência técnica com uma das agendas mais sensíveis da segurança pública hoje.
Não é uma aposta. É uma escolha baseada em histórico, capacidade de liderança e leitura de sistema.
Isso precisa ficar claro porque existe um erro recorrente no debate público: tratar avanço feminino como concessão quando, na prática, ele vem sendo resultado de competência comprovada.
Ao mesmo tempo, não podemos ignorar o peso simbólico dessa conquista. Quando uma mulher assume o comando de toda a estrutura de segurança – Polícia Militar, Civil, Bombeiros, perícia – o recado é de que espaço não é exceção.
É possibilidade concreta. E isso retroalimenta o sistema. Mais mulheres entram, permanecem, ascendem. Mais jovens mulheres acreditam.
No fim, a discussão sobre direitos das mulheres não é sobre “dar voz”. Essa voz já existe – e há muito tempo. A questão real é: a sociedade vai continuar criando as condições para que ela seja ouvida, protegida e respeitada?
Se a resposta for “sim”, os resultados aparecem: na economia, na saúde, na educação, na segurança, na qualidade de vida.
Se for não, março volta a ser só calendário. E, isso, em nosso governo, verdadeiramente não acontecerá.
Carlos Brandão
