Até quando Rubens Junior ficará em cima do muro?
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O deputado federal Rubens Pereira Jr., vice-líder do governo do presidente Lula na Câmara dos Deputados e coordenador do grupo de tática eleitoral do PT nacional, parece não estar sintonizado com as decisões de seu próprio partido quando o assunto é a conjuntura política no Maranhão.
Ao que tudo indica, o parlamentar ainda não acertou seu rumo político no estado.
Apesar de a sigla já ter definido o apoio à candidatura dos correligionários Felipe Camarão ao Palácio dos Leões, e da reeleição da senadora Eliziane Gama, Rubens Jr. ainda não demonstrou entusiasmo ou gestos políticos em direção aos companheiros de legenda.
Um exemplo nítido disso foi sua ausência no evento “Diálogos Pelo Maranhão”, organizado pelo partido, que contou com a presença do presidente nacional da legenda, Edinho Silva.
Desde que se declarou publicamente “independente” em relação às articulações políticas locais, a teoria de Rubens Jr. nunca se converteu em prática. Nos bastidores, especialmente após o episódio que ficou conhecido como o caso de arapongagem, o parlamentar vinha trabalhando para aproximar o partido do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide.
O plano era cacifar-se como candidato a vice ou ao Senado na chapa do PSD.
Para a direção nacional, Rubens Jr. vendia a imagem de um articulador capaz de atrair convergências.
O tempo passou e o PT acabou decidindo trilhar o próprio caminho, após intensas pressões supremas.
Quem conhece a política maranhense sabe que Rubens Jr. não dá passos largos sem a anuência de seu pai, o ex-deputado estadual e ex-secretário de Articulação Política (SECAP), Rubens Pereira que até ao lado do pré-candidato ao senado Hilton Gonçalo já posou junto em foto, além de recentemente ter sido alvo de operação da PF.
Esse comportamento da dinastia Pereira tem gerado fortes controvérsias e desconfiança sobre as reais intenções de pai e filho para o pleito de outubro. Estariam eles fazendo um jogo duplo, aguardando o momento mais vantajoso e seguro para desembarcar em um projeto com maior chance de vitória?
No grupo dinista, onde o parlamentar já desfrutou de grande prestígio, o clima atual é de total desconforto. Fontes ligadas ao entorno do ex-governador e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) apontam que os movimentos de Rubens Jr. têm sido interpretados como um boicote velado ao nome de Felipe Camarão já decidido pela direção nacional do partido, contrastando com seus elogios públicos ao pré-candidato Eduardo Braide.
Paralelamente, os Pereiras mantêm forte influência na estrutura da Secretária de Articulação Política do governador Carlos Brandão, hoje comandada por Bigu Oliveira (ex-prefeito de Santo Antônio dos Lopes), ocupando diversos cargos de primeiro, segundo e terceiro escalões, mesmo após a exoneração de Rubão da pasta.
Nomes como a da Cristianne Bacelar: secretária-adjunta da SECAP e membro da comissão provisória do PT Maranhão, Gabriel Tenório (PT), José Pereira, Leonardo Rodrigues e Cristiane Maia: auxiliares e gestores (como no caso de Tenório, que presidia a Agem Leste) que se encontram afastados por 90 dias, sem prejuízo de seus vencimentos, por determinação do TRE-MA.
O afastamento coletivo ocorreu após os desdobramentos da Operação Ártros, da Polícia Federal, que investiga desvios de recursos públicos para financiamento ilegal de campanhas nas eleições municipais de 2024, no qual o pai do parlamentar foi o principal alvo, no qual Rubens Jr reservou-se ao silêncio sobre o assunto.
O sentimento majoritário na classe política diante de tal comportamento é de desconfiança. A aparente postura de independência de Rubens Jr. é vista apenas como uma estratégia “para inglês ver” uma rota que corre o risco de não levá-lo a lugar nenhum.
Diante de um parlamentar petista que é acusado de sabotar o grupo Brandão por dentro e demonstrar distanciamento do projeto liderado por Carlos Brandão em favor de Orleans, fica a pergunta inevitável nos corredores do poder: o que o governador está esperando para promover um verdadeiro “passaralho” e exonerar os indicados políticos dos Pereiras?
