Empresária e PM são denunciados por tentativa de homicídio e tortura contra doméstica grávida com golpes na região do ventre
A promotora reforçou que a denúncia não representa uma condenação.
“É importante entender que houve apenas o oferecimento da denúncia. Isso não significa condenação. O Judiciário ainda decidirá se recebe a acusação, haverá instrução processual e produção de provas. Somente depois será analisado se os denunciados serão levados a júri”, explicou.
Conforme a denúncia, Carolina Sthela Ferreira dos Anjos é apontada como a mentora intelectual das agressões e também como uma das responsáveis diretas pelos ataques à vítima.
O Ministério Público afirma que a intenção de matar é reforçada por áudios periciados nos quais, segundo a investigação, a empresária teria afirmado que Samara “não era nem para ter saído viva”.
O órgão também menciona que Carolina possui uma condenação anterior por calúnia contra uma babá em circunstâncias consideradas semelhantes. Para o MP-MA, esse histórico pode indicar um padrão de comportamento abusivo contra trabalhadoras domésticas.
Já o policial militar Michael Bruno Lopes Santos foi denunciado por atuar como coautor das agressões.
Segundo a investigação, ele teria utilizado sua condição de agente de segurança para intimidar a vítima, chegando a golpeá-la com coronhadas e introduzir o cano de uma arma de fogo em sua boca.
Ainda conforme o Ministério Público, o policial também teria imobilizado Samara para impedir qualquer reação enquanto a empresária continuava as agressões.
O Ministério Público descreve que Samara foi atraída para uma área isolada da residência sob o pretexto de limpar a cozinha. No local, segundo a denúncia, Michael Bruno já a aguardava armado.
A motivação das agressões teria sido a suspeita do desaparecimento de um anel avaliado em R$ 5 mil. Durante a tortura, os acusados teriam obrigado a vítima a participar de uma dinâmica conhecida como “quente ou frio”, exigindo que indicasse onde estaria a joia.
Mesmo após o anel ter sido localizado em um cesto de roupas sujas da própria residência, as agressões, segundo o MP, continuaram.
A denúncia relata que Samara sofreu socos, coronhadas, puxões de cabelo e diversas agressões, enquanto tentava proteger a barriga devido à gravidez.
O Ministério Público afirma ainda que os investigados planejavam dopar a jovem e levá-la para um sítio isolado, onde ela seria executada.
A denúncia é acompanhada por laudos periciais, exames médicos, depoimentos e áudios que, segundo o Ministério Público, demonstram tanto a autoria quanto a materialidade dos crimes.
Os laudos médicos apontam que Samara sofreu diversos hematomas e perdeu permanentemente parte da audição em decorrência dos golpes recebidos na cabeça.
Diante da gravidade dos fatos, o MP-MA solicitou prioridade na tramitação do processo, a manutenção da prisão preventiva dos denunciados e o encaminhamento do caso ao Tribunal do Júri, caso a Justiça entenda estarem presentes os requisitos legais.
Carolina Sthela foi presa no Piauí, durante uma tentativa de deixar o estado. Michael Bruno também permanece preso. O processo segue em tramitação na Comarca de Paço do Lumiar, onde a Justiça decidirá sobre o recebimento da denúncia e os próximos passos da ação penal.
Do Imirante.com
