terça-feira, 25 de agosto de 2026

 Quaest não informa municípios onde realizou entrevistas


A pesquisa Quaest/TV Mirante divulgada na noite desta segunda-feira (24) chegou acompanhada de uma ausência, no mínimo, estranha: na consulta ao registro do levantamento, não estava disponível o arquivo com o detalhamento dos municípios e bairros onde foram realizadas as 900 entrevistas.

A informação é essencial para que eleitores, partidos e especialistas possam avaliar se a amostra representa verdadeiramente o Maranhão. Afinal, como saber se o instituto ouviu proporcionalmente a população do interior ou concentrou entrevistas em São Luís e na Grande Ilha, principal reduto eleitoral de Eduardo Braide?

A falta de transparência chama ainda mais atenção diante da distância entre o resultado da Quaest e os números apresentados por outros institutos em levantamentos recentes. Sem conhecer a distribuição geográfica das entrevistas, fica impossível verificar se regiões como a Baixada, os Cocais, o Médio Mearim, o Sertão e o Sul do Maranhão tiveram participação adequada no levantamento.

A legislação eleitoral determina que, a partir da data em que a pesquisa puder ser divulgada e até o dia seguinte, o registro seja complementado com os municípios e bairros abrangidos, além do número de eleitores pesquisados por setor censitário. Portanto, é necessário observar o prazo legal antes de afirmar a existência de irregularidade. Mas, se o período terminar sem a inclusão do arquivo, a situação deixa de ser apenas estranha e passa a exigir esclarecimentos formais.

Pesquisa eleitoral não pode ser uma caixa-preta. Se os números pretendem retratar a vontade popular, a Quaest precisa mostrar onde foi buscar esses dados. Até lá, permanece uma pergunta incômoda: em quais municípios, afinal, foram feitas as 900 entrevistas?