quarta-feira, 2 de setembro de 2026

A Marcha para Jesus Cristo em Caxias – MA: uma análise pela Geografia Cultural

*Eduardo Rego

A Marcha para Jesus Cristo, em Caxias–MA, pode ser compreendida pela Geografia Cultural como uma manifestação que produz significados, identidades e formas de apropriação do espaço urbano. A partir de Carl Sauer, podemos observar a transformação temporária da paisagem; com Denys Cosgrove, compreender sua dimensão simbólica e cultural; e, em Yi-Fu Tuan, analisar as relações de pertencimento e afetividade estabelecidas entre os participantes e o lugar.

Entretanto, a baixa adesão observada nas duas últimas edições merece uma reflexão mais aprofundada. Embora fatores sociais e culturais possam contribuir para esse cenário, é necessário considerar o papel dos organizadores na mobilização, divulgação, planejamento e articulação com as diferentes comunidades cristãs de Caxias. Aspectos como comunicação antecipada, escolha do percurso e horário, integração entre denominações e estratégias de participação podem influenciar significativamente a presença do público.


Nesse sentido, a baixa participação não deve ser interpretada simplesmente como desinteresse ou enfraquecimento da fé cristã. Ela pode revelar também uma possível fragilidade nas estratégias de mobilização e na articulação entre os organizadores e os diferentes segmentos religiosos da cidade. Uma manifestação cultural dessa dimensão necessita construir identificação coletiva e estabelecer diálogo efetivo com seu público.

Assim, a redução do número de participantes constitui um fenômeno geográfico e cultural que merece investigação, pois permite compreender as relações entre religião, identidade, participação social e espaço urbano. Mais do que questionar a importância da Marcha, essa análise aponta para a necessidade de refletir sobre suas formas de organização e sua capacidade de dialogar com a sociedade caxiense.

*Eduardo Rego é Diácono da Igreja Assembleia de Deus e estudante do 8° período do curso de Geografia UEMA/UEMA/Net