segunda-feira, 10 de agosto de 2026

 Feminicídios caem 42% no Maranhão


A redução dos feminicídios no Maranhão se manteve ao longo dos primeiros sete meses de 2026. Entre janeiro e julho, foram registrados 19 casos, contra 33 no mesmo período de 2025. A diferença representa 14 vítimas a menos e uma queda de 42%.

A redução aparece em cinco dos sete meses analisados. Na comparação com os mesmos meses do ano passado, os registros caíram 80% em janeiro, 20% em abril, 44% em maio, 83% em junho e 33% em julho. Março permaneceu estável, com dois feminicídios em cada ano. Fevereiro foi o único mês a apresentar aumento, com um caso a mais em relação a 2025.

Na Grande Ilha, formada por São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa, os feminicídios passaram de cinco para três casos, redução de 40%. Em São Luís, o indicador permaneceu estável, com três registros entre janeiro e julho tanto de 2025 quanto de 2026.

Para a secretária de Estado da Segurança Pública, coronel Augusta Andrade, a redução está relacionada a uma estratégia que busca intervir nas diferentes etapas do ciclo da violência e ampliar o acesso das mulheres aos mecanismos de proteção.

Apesar da queda, a secretária ressalta que os números ainda exigem atenção permanente.

A estratégia de enfrentamento parte de um princípio: o feminicídio, na maioria das vezes, não é o primeiro episódio de violência.

Por isso, uma das frentes adotadas no Maranhão tem sido ampliar a capacidade de identificar situações de risco, acolher as vítimas e acompanhar mulheres que já possuem medidas protetivas de urgência.

O estado conta atualmente com 26 Patrulhas Maria da Penha. As equipes realizam acompanhamento de mulheres protegidas por decisões judiciais, fiscalizam o cumprimento das medidas protetivas e desenvolvem ações preventivas.

A estrutura cresceu nos últimos anos. Desde 2022, foram implantadas 17 novas Patrulhas Maria da Penha, ampliando a presença do serviço em diferentes regiões do Maranhão.

Na Polícia Civil, a rede especializada conta com 23 Delegacias Especiais da Mulher (DEMs), 15 Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher e o Departamento de Feminicídio da Polícia Civil, responsável pela investigação especializada desse tipo de crime.

A atuação das delegacias começa no registro e acolhimento da vítima e pode avançar para a investigação, representação por medidas cautelares e responsabilização criminal dos agressores.

A expansão da rede também foi acompanhada pelo reforço da estrutura operacional. Recentemente, 22 novas viaturas foram destinadas exclusivamente às unidades que atuam no enfrentamento à violência contra a mulher: dez para Delegacias da Mulher e 12 para Patrulhas Maria da Penha.

Receberam veículos as Delegacias da Mulher de São José de Ribamar, Caxias, Porto Franco, Itapecuru-Mirim, Chapadinha, Presidente Dutra, Barra do Corda, Balsas, Zé Doca e Timon.

Também foram contempladas as Patrulhas Maria da Penha de Bacabal, Balsas, Barra do Corda, Caxias, Grande Ilha, Imperatriz, Itapecuru-Mirim, Pinheiro, Timon, Presidente Dutra e Santa Inês, sendo duas viaturas destinadas à Grande Ilha.

Mais do que renovar a frota, a medida amplia a capacidade de deslocamento das equipes, inclusive para localidades mais distantes dos centros urbanos.

Enquanto uma parte da estratégia está concentrada na prevenção e no acompanhamento das vítimas, outra busca retirar de circulação autores de violência e pessoas procuradas pela Justiça.

Esse trabalho é reforçado pela Operação Mulher Segura, que reúne Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Perícia Oficial e outros órgãos da rede em ações integradas de enfrentamento à violência contra a mulher.

No balanço das ações já realizadas, foram contabilizadas mais de 200 prisões, mais de 2 mil atendimentos e 100 medidas protetivas, além de atividades preventivas e de orientação.

As equipes atuam no cumprimento de mandados, fiscalização de medidas protetivas, localização de agressores e atendimento a mulheres em situação de violência.

A Operação Mulher Segura integra uma mobilização nacional de enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio.

A redução de 33 para 19 casos mostra uma mudança importante no indicador, mas não encerra o desafio.

Violências psicológica, física, sexual, moral e patrimonial podem anteceder situações mais graves. Por isso, além da repressão aos crimes já cometidos, a política de segurança busca ampliar a capacidade de reconhecer sinais de risco e fazer com que a vítima chegue mais cedo à rede de proteção.

Como ferramenta de proteção, o Governo do Estado disponibiliza o aplicativo Salve Maria Maranhão, que permite o acionamento rápido da Polícia Militar em situações de emergência, ampliando a proteção às mulheres e fortalecendo a resposta das forças de segurança.

Em casos de violência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190, procurar a delegacia mais próxima ou uma unidade especializada e denunciar os casos também por meio da Central de Atendimento à Mulher (180) e do Disque-Denúncia Maranhão (181).